Loading...
Treasure face
  • 742,787
Lyrics

Bendito é o fruto, eu sou o fruto

Eu queria zerar o jogo e só zerei minha paciência

Vi que a arte é o melhor crime porque não deixa evidência

Tentei quebrar a corrente pra trazer mais coerência

Eu nunca tive concorrência porque eu canto o que nós sente

O essencial não é tocado e nem ouvido

E quanto mais sentimental de fato menos tem sentido

Tem tempos que não me perguntam como eu tô sentindo

Eu sinto muito por você e sei que não é recíproco

Em todo recinto, recito meu ressentimento

Sinto que é recente esse receio por meu sentimento

Sinta-se à vontade, minha vontade é ver teu crescimento

Mermo que isso envolva ver de perto nosso afastamento

Das cinzas da bituca meu renascimento

Quebrado fui eu mermo que juntei cada fragmento

Despedaçado, um pedaço pra cada arrependimento

Uma cicatriz pra cada relacionamento

Relacionado à carência e caretice

Por cantar o que eu sinto e não o que alguém me disse

O silêncio tagarela, a depressão em aquarela

Tá na hora da estrela, agora eu te entendo, Clarice

Nesse mundo feito por adestramento e castração

Pedem pra tu dar a pata ou é largado no lixão

Meu lado psicopata é todo fruto de zapata

Eu sou pirata filho bastardo de toda a opressão

Tão poético quanto colírio de limão

Se faz bem ou não, depende só do seu ponto de visão

Prum visionário pode ser uma maldição

Já pro olho gordo a única solução

Entre a cruz e a espada o rap sempre foi minha força

Eu vi muita boca porca querer me jogar na forca

Minha mente assassina como orca

Meu estômago embrulha, mas a postura não emborca

Na missão de salvar sua vida, irmão, embarca

Nas águas da juventude a sabedoria se encharca

Mude a sua geração, não seja um patriarca

Não espere que Noé guarde um lugar pra tu na arca

Quebrando verdades antigas, virei a jovem promessa

Eu sou a prova de que esforço, traz sucesso mais depressa

Não gostou? Me processa, seu ódio já não me estressa

Eu sei que cê queria tá aqui, então confessa

O céu é um cigarro e um café expresso

Nunca tive apego com excesso

Acho que vivo no meu próprio universo

Onde as leis são naturais

E Deus não julga o réu confesso

Meu pescoço não serve pra corrente nem corda

Quando me expresso, não tem conservador que concorda

Minha ânsia de igualdade hoje transborda

Eu luto pela justiça dos homens enquanto Deus não acorda

Me chame de Frank, a franqueza me faz tão bem

Não sou Frankenstein, francamente mais pra Einstein

Me perguntam se esse corpo ainda fé tem

Eu rezo pro baralho e sei que a dupla de ás vem

Nem sempre com as melhores cartas na minha mão eu venço

E quando perco nunca me arrependo, paro, aprendo e penso

Já falei pro meu demônio calar a boca

E só abrir quando a palavra valer mais do que o silêncio

Olhares doces e palavras amargas

Fazem meu dia ser azedo

Minha língua apimentada faz eu cuspir fogo

Por isso que seu Deus de papel de mim ainda tem medo

Na pobreza e na riqueza o homem se revela

Canto por mim e pelo amor, que eu tenho com a favela

Também quero meu lugar na casa branca

E no meu primeiro mandato, eu pinto de preto as parede dela

Eu não vim julgar, nem sair

Nem descer nem subir

Me manter, entender, evoluir

Sou o que fui, o que sou e o que vou ser

Eu sou eterno, aceita, a jovem promessa

: / :